Se você não ouviu falar na série Dark, provavelmente deve ser de outro mundo ou de uma realidade sobreposta. Dark é aquela série que no começo você acha confuso e quando chega no final, parece que está no começo.

A minha experiência com Dark pode ter sido parecida com a de muitos. Quando a primeira temporada foi lançada, eu até tentei assistir, mas desisti no quarto episódio, porque nada fazia sentido. Foi só quando anunciaram o final e os memes começaram a surgir, que a minha curiosidade aumentou e a vontade de entender os memes também.

A partir disso, eu fiz um cursinho preparatório de Dark. Assisti várias resenhas de YouTubers, sem me preocupar com spoilers, porque no caso de Dark o conceito de spoiler não se aplica. Mesmo quando você tem uma informação sobre a série, não há o que fazer com ela ou como encaixá-la em uma ordem cronológica da história, a princípio.

Na semana do lançamento da terceira temporada, eu maratonei as duas primeiras. A produção alemã da Netflix lançou sua terceira e última temporada no dia 27 de junho de 2020, o fatídico dia do apocalipse, e desde então rendeu muitos memes e vídeos na rede. Para completar todo esse alvoroço, já é considerada a melhor série já lançada pela plataforma de streaming.

Primeiramente, gostaria de esclarecer que o objetivo desse post não é determinar verdades absolutas sobre a série, mas sim, contar um pouco sobre a minha experiência com essa história e porque ela foi tão envolvente para mim. Já adianto aqui algumas razões: referências de Matrix, filosofia, religião e ciência. Não entendeu nada? Continua aqui no post!

*Cuidado! Spoilers!*

Uma breve introdução

Afinal, do que se trata essa bendita série? A história, que se passa na cidade alemã de Winden, já começa com o suicídio do pai do jovem Jonas (Louis Hofmann), protagonista dessa bagunça toda. Mas, a jornada de Jonas só começa mesmo dois meses depois dessa fatalidade, quando Mikkel, irmão mais novo do amigo de Jonas, desaparece na caverna de Winden.

 Ao tentar entender o motivo do suicídio de seu pai e como isso pode estar ligado com o sumiço de Mikkel, que não foi a primeira criança a desaparecer na cidade, nosso amigo Jonas descobre que seu pai viajou no tempo quando era mais novo. A partir daí é só mistério, confusão e desespero para tentar entender o que está acontecendo e a razão por trás disso tudo. E o desespero é geral, tanto do Jonas quanto nosso.

Muito mais que ficção científica

Baran bo Odar, criador da série Dark, mergulha em referências do gênero, como Matrix e De volta para o futuro, de forma honrosa. Em vários momentos, a produção vai além da hype de viagem no tempo e cria um universo “Dark” coeso, com pouquíssimas pontas soltas.

 O resultado disso é uma obra bem amarrada, estruturada, um roteiro fechado e personagens ricos. Podemos dizer que para criar todo esse universo, Baran bo Odar encontrou a combinação perfeita entre ciência, filosofia e religião. O objetivo disso tudo é induzir o espectador a se questionar sobre a vida humana e as razões de sua existência. Profundo, não é mesmo?!

Surtando com os paradoxos

Não vou me aprofundar muito nas questões científicas por motivos de “sou de humanas”, mas esse é o artifício usado para instigar o público. A medida que os paradoxos temporais nos são apresentados, quebramos a cabeça para tentar achar uma lógica para solucionar cada mistério e como tudo está conectado. É nesse momento que começamos a criar diversas teorias e árvores genealógicas. Quando você vê, é tarde demais, já está caverna de Winden a dentro. Você faz parte de Dark e Dark faz parte você. Tudo está conectado.

Quando menos esperar, você estará um dia tomando seu café calmamente e se perguntando: “Será que eu já fui a minha avó? Seria possível eu dar a luz a minha bisavó? Seria eu a Charlotte? “.

Filosofando com Dark

Um dos principais aspectos que torna Dark muito interessante são as questões filosóficas da trama. Desde o início, é possível perceber como a questão do dualismo, livre-arbítrio e do determinismo são protagonistas. 

A impressão que temos é que os personagens precisam escolher lados (Adam ou Eva). Pouquíssimos parecem ter opção de escolha, mesmo quando pensam que estão agindo por vontade própria. Todos precisam cumprir um papel, preencher uma lacuna na história pré-estabelecida. Ainda na primeira temporada, acreditamos que apenas três personagens estão no comando de suas próprias ações. Depois descobrimos que não é bem assim… Pobre Noah…

O fio de Ariadne

Desde o início a série faz referência muito clara ao mito de Ariadne, quando a própria Martha (Lisa Vicari), interesse amoroso de Jonas, atua em uma peça de teatro da escola sobre o tema. Nesse momento, fica claro que Martha é nossa Ariadne e Jonas, o nosso Teseu.

Na mitologia, quando Teseu decide adentrar o labirinto para derrotar o Minotauro de Creta, só o consegue com a ajuda de sua amada. Pois o desafio aqui é divido em duas partes, a primeira é derrotar a criatura, a segunda é sair do labirinto. Teseu só é bem sucedido na segunda etapa graças a ajuda de Ariadne com seu novelo de fio de ouro, que o guerreiro desenrola pelo caminho e depois o utiliza como guia para encontrar a saída.

Em sua peça de teatro, Martha diz que o fio é vermelho como  sangue, e que por ser invisível, essa ligação não poderia ser quebrada. Uma clara referência entre a ligação entre as famílias, ligação dos acontecimentos entre si e própria conexão inexplicável que Jonas e Martha sentiam um pelo outro. Um erro na Matrix, como eles mesmos dizem, um déjà vu.

O paradoxo do navio de Teseu

O “Paradoxo do navio de Teseu” foi proposto pelo filósofo Plutarco e trata-se de um paradoxo de substituição. Levando em consideração que, ao realizar sua viagem de 50 anos, partindo do ponto A ao B, todas as peças velhas do navio são substituídas por novas, até que todas tenham sido trocadas, o navio do ponto A é o mesmo do ponto B? Esse questionamento também pode ser aplicado a nós? E se o que mudar for nossa personalidade? Ainda seremos os mesmos?

Essa é uma das grandes questões na jornada de Jonas e de Martha do mundo B também, quando conhecemos suas versões do futuro. Jonas e Adam são a mesma pessoa? Martha é Eva? Jonas sempre foi Adam e Martha B sempre foi Eva? Quando acontece essa transformação? Mas as perguntas que mais causam dúvida são: Eva ainda é Martha? Adam ainda é Jonas?

Chuva de referências bíblicas e outros simbolismos

Essa é minha parte preferida, ficar coletando essas referências e interpretá-las para tentar encaixar no contexto da história. Dark está cheia delas. 

A começar pelos nomes de Jonas e Martha. Nesse caso, acho que a referência não é direta aos personagens bíblicos de mesmo nome. Aqui vou mais além… Da mesma forma que os nomes Jonathan e Martha são utilizados em uma certa história da DC, como pais de um certo super herói, fazendo alusão às iniciais J e M de José e Maria, pais de Jesus. Jonas e Martha formam a família original, aquela que dá início a tudo. Tanto que, suas versões do futuro se auto intitulam de Adam e Eva.

Além disso temos Noah (Noé), Mikkel/ Michael (São Miguel Arcanjo), e no caso da Claudia, a personagem pode ser vista como a serpente, detentora do conhecimento. Claudia não “tenta” Adam nem Eva, mas, podemos dizer que ela engana os dois por muito tempo, transitando entre o mundo de Adam e de Eva sorrateiramente, como o próprio movimento da serpente.

Temos a presença do símbolo da triquetra, que o Adam interpreta como os três ciclos: passado, presente e futuro. Na verdade, a triquetra é de origem celta, mas também é utilizada em outras religiões e culturas. Na tradição celta, ela representa as três faces da Grande Mãe, criadora do universo: a Virgem, a Mãe e a Anciã.

Porém, o símbolo também pode representar a própria interseção entre os mundos: o original, o mundo do Adam e o mundo da Eva. Entre outras interpretações como: corpo, mente e espírito ou vida, morte e ressurreição. Ou seja, a triquetra, de forma geral, representa a trindade, presente em muitas religiões. No cristianismo temos a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Na cultura hindu: Brahma, Vishnu e Shiva. E no Egito antigo, Osíris, Ísis e Hórus.

Por falar em trindade, há um personagem que representa isso muito bem, o Trio Infinito, que a Netflix só nomeou como o Desconhecido. Ele é a origem e o fim de Jonas e Martha. “O começo é o fim e o fim é o começo”. E assim como a trindade e o número três estão ligados ao divino e à divindade, podemos relacionar o número quatro ao terreno, ao humano, à materialização do divino através dos quatro elementos (fogo, terra, água e ar) e das quatro estações. Coincidência ou não, na história de Dark, temos quatro famílias que são o centro de toda essa trama: os Kahnwald, os Doppler, os Tiedemann e os Nielsen.

Lepinho

Como sabemos, o Trio é a origem dos Nielsen. Esse nome “Nielsen” é de origem escandinava e é mais encontrado no norte da Alemanha. Pode significar “filho de Niels”, sendo Niels uma forma dinamarquesa de Nicholas. Nicholas, por sua vez, é um nome de origem grega que significa “vitória do povo”.  Aqui, podemos interpretar como a vitória do “povo” da Martha e do Jonas, a vitória da infinita continuação da linhagem.

Ainda sobre a triquetra, na série, ela também é o símbolo da Sic Mundus, sociedade secreta dos viajantes do tempo liderada pelo Adam. A Sic Mundus se baseia na Tábua de Esmeralda, que é um conjunto de escritos em latim creditado a Hermes Trismegisto, filósofo egípcio que originou o hermetismo. Nessa Tábua, muito presente na série, há a frase “Sic Mundus Creatus Est”, que significa “Assim o Mundo foi criado”.

Na famosa foto dos integrantes da Sic Mundus, embora nem todos os nomes dos integrantes tenham sidos confirmados, podemos observar treze pessoas, Adam mais outros doze “seguidores”. Neste caso, podemos relacionar a foto a uma pintura muito conhecida de Leonardo Da Vinci. Em “A Última Ceia”, Da Vinci refere-se à última ceia  de Jesus com seus doze apóstolos. Coincidência? Acho que não…

Por fim, no mundo B, Eva lidera a “Que Haja Luz”. O símbolo dessa sociedade secreta é o caduceu, que pode representar o movimento cósmico, equilíbrio de forças antagônicas e a verticalização do infinito. 

Diferentemente da Sic Mundus, que busca o fim, a destruição e a escuridão total, a Que Haja Luz defende, como o próprio nome diz a luz, a vida, a vida do Trio. Para isso, a sociedade liderada por Eva conta com um total de sete integrantes. O número sete pode ser considerado um representativo do equilíbrio e da harmonia. Sendo 3 (trindade) + 4 (quatro elementos/ quatro famílias?) = 7.

Eu poderia citar muitos outros motivos para assistir Dark, mas estes foram os que mais me impressionaram e mais me prenderam à série. É realmente satisfatório perceber todo o trabalho de pesquisa e produção de um projeto bem sucedido. É notório que nada está em Dark por acaso. Para o telespectador amante de obras desse gênero, é uma verdadeira maravilha. 

Para completar, não deixem de conferir a playlist da trilha sonora dessa última temporada! Eu estou viciada em “The Labyrinth Song” (Asaf Avidan), In the Woods Somewhere (Hozier) e Inside (Chris Avantgarde feat. Red Rosamond).

Apesar de toda a confusão com as viagens no tempo, Dark é uma série intrigante e envolvente de se assistir. Se você ainda não assistiu e está perdido, ou já assistiu e continua confuso, não desanime e lembre-se: “O que sabemos é uma gota. O que ignoramos é um oceano”.

Estou muito feliz de estar fazendo esse post hoje pois finalmente estou com mais tempo livre por conta da minha formatura! Me formei em Arts Management pela George Mason University e eu estou muito realizada com essa vitória!

Mas vamos ao que interessa, né? Tirei aí umas duas semaninhas pós provas finais e apresentações pra descansar porque eu estava simplesmente um caco. O que fazer pra relaxar em plena quarentena? Assistir série! Sim! Decidi assistir coisas que me deixam feliz pois o estresse estava brabo. Então, no meio dessa procura pelo que assistir, acabei vendo uma live com os atores de “Smash”, que é uma série que já acabou há um tempo e eu decidi revê-la. Bom, eu basicamente “comi” a série em três dias.

A série tem apenas duas temporadas e mostra os bastidores da produção de um musical da Broadway. A história apresenta Karen Cartwright, interpretada pela atriz e cantora Katharine McPhee, que está começando na carreira e como muitos, vive fazendo audições. A história mostra também a jornada de Ivy Lynn, interpretada pela atriz Megan Hilty, que ao contrário de Karen já está no meio há um bom tempo e já fez mais de 10 musicais na Broadway, porém sonha em ser a protagonista de um.

Dois renomados escritores de musical, interpretados por Christian Borle e Debra Messing, decidem escrever um musical sobre Marilyn Monroe que vem a se chamar “Bombshell”. A trama segue mostrando o lado pessoal e profissional dos personagens e claro, tem muita música e dança, pois estamos falando de um musical.

A música tema da série chama-se “Let me be you Star”, que é também a primeira do musical “Bombshell”. Boatos que depois de vários concertos de sucesso com as músicas da série, esse musical de fato vai pra Broadway. Muito louco, né? Um musical criado pra TV vai aos palcos de verdade. Tomara! Vou deixar aqui duas músicas pra vocês curtirem. A primeira do espetáculo que chama-se “Let me be your Star” e a que fecha o segundo ato que chama-se “Dont Forget Me”. Espero que gostem!

Vejo vocês no próximo post!

Vem conferir esses também!

    Venho aqui nesse post contar um pouquinho da minha experiência com a série “My Mad Fat Diary”. No último post que escrevi falei sobre canais do Youtube que comentam sobre gordofobia, sobre auto-estima, sobre amor próprio etc e fiquei sabendo da existência dessa série através desses canais.

    Algumas Youtubers comentavam como falta representatividade pras pessoas gordas, e que talvez essa fosse a única série que não coloca a personagem gorda como a amiga engraçada da magra protagonista. Sabe aquela amiga gordinha, fofa, engraçada mas que só serve pra levantar a auto-estima da magra. Então…

    Decidi procurar a série e achei no youtube os episódios inteiros legendados em português. Foi bem rápido de ver porque além de ser super legal, a primeira temporada tem somente seis episódios. A segunda também e acho que a terceira tem tipo três.

    A história é sobre Rae, uma adolescente de 16 anos que vive em Linconshire. Ela é obesa e está numa clínica psiquiátrica pois se provou um perigo pra ela e para outros. Logo no início ela sai da clínica, volta pra casa onde mora com sua mãe e logo reencontra uma amiga de infância, Chloe, com a qual volta a se dar. Ela conhece os amigos de Chloe e a história segue por aí. É legal porque mostra inseguranças básicas de Rae com seu corpo, com sua mente, sua relação com a mãe, com crushs etc

    Em algumas coisas me identifiquei com a personagem. A atriz também é maravilhosa. Dá pra achar algumas resenhas no Youtube mas eu aconselho super a ver.

    Além dos problemas de Rae, a série mostra também inseguranças do grupo de amigos. Mesmo aquela menina linda tem problemas de auto-estima. Mesmo aquele menino lindo, super seguro pode ser tímido pra convidar uma menina pra sair.

    Faz a gente pensar também nessa questão de representatividade. No que é bonito ou não….o que deixamos de fazer pelo medo do que os outros vão pensar. Vale muito a pena,

    Vou deixar aqui o link do trailer pra dar aquela vontade de assistir

    Só de assistir ao trailer me deu saudades!

    E obs: ONTEM SAIU O TRAILER DE ORANGE IS THE NEW BLACK SEASON 5!!!

    O que falar de 13 Reasons Why, nova série original da Netflix baseada no livro “Os 13 porquês”? A série tem Selena Gomez como produtora executiva, e se você está se perguntando se vale a pena assistir, a resposta é SIM!

    Diferentemente de Stranger Things, que eu achei ok, e só teve aquela hype toda, grande parte por causa da brilhante jogada de marketing da Netflix, 13 Reasons é, provavelmente, o melhor lançamento do ano da plataforma. Além de muito bem produzida e dirigida, a série que, aparentemente parece ser um drama teen, fala sobre temas sérios e atuais que precisam ser abordados, como bullying, abuso sexual, machismo, sexismo, violência sexual, homofobia, entre outros..

    Sem dar muitos spoilers, 13 Reasons conta a história de Hannah Baker (Katherine Langford), uma adolescente que decide tirar a própria vida. Porém, antes disso, ela grava 13 fitas, cada uma sobre as pessoas que de alguma forma colaboraram para que ela chegasse ao ponto de cometer suicídio. A série é contada sob o ponto de vista de Clay Jensen (Dylan Minnette), amigo de Hannah. A estrutura de cada episódio uma fita é bom, causa aquele suspense, porque você sempre quer saber o que acontece na próxima fita. E também dá uma certa agonia, porque você começa a se perguntar: “Por que ele não escuta tudo logo de uma vez??!”. E mais, por que o Clay é um dos porquês se ele é um cara tão bonzinho e bacana??

    No desenrolar da história, é interessante ver a evolução do Clay, um menino tímido, caladão, que vai tentando fazer justiça pelas coisas que aconteceram com a Hannah, por quem ele era apaixonado. Ao mesmo tempo, podemos ver porque Hannah toma sua drástica decisão. O jogo entre passado e presente com os flashbacks é muito bem feito. Para quem fica perdido em How to Get Away With Murder, como eu, isso não acontece em 13 Reasons.

    Enfim, Os 13 porquês é uma daquelas séries que te prende desde o primeiro episódio. Eu amei demais. Achei que eles abordaram todos os temas polêmicos muito bem. É uma história extremamente tocante e comovente que, além de entreter, nos faz refletir sobre o modo com o qual tratamos as pessoas. E também mandam um alerta para todas as pessoas que possam vir a se identificar com a protagonista de que sim, existe outra saída. Procure aconselhamento, ajuda de amigos, família… o suicídio nunca será sua melhor ou única escolha.

    Então, se você ainda não viu, corre!! Vale a pena!